FLASHBACK
Evento ocorrido no Rio de Janeiro, e pela 3ª vez no auditório da Torre Almirante, no Centro da cidade, debateu o tema “Contratos em FM”. Repetindo a novidade que fora lançada no 8º FM, em Curitiba, capital paranaense, de programação estendida ao longo de todo o dia, a parte da manhã foi palco de palestras e mesas-redondas mais conceituais, enquanto o turno da tarde abriu espaço para o que foi batizado de “FM Business”, com participação de conferencistas mais focados num tema de saúde a que os times de FM precisam estar atentos em suas instalações.
Mesa-redonda sobre “A arte de elaborar um contrato”
Após o já esperado café da manhã de boas-vindas, sobre o qual só há elogios, que tem aquele “gostinho de quero mais” e acontece sempre durante a retirada das credenciais, a plateia foi convidada a receber os cinco primeiros conferencistas que discorreram sobre “A arte de elaborar um contrato”. O primeiro a falar foi o engenheiro civil Carlos Corte Real, com base na sua experiência em gerenciamento de Facilities. Segundo ele, há que saber administrar muito bem o tempo para poder dedicar parte dele ao estudo do momento preciso da empresa, de modo a perceber, em termos práticos, como as circunstâncias vão balizar o escopo dos contratos: “o nosso setor sofre cotidianamente uma avalanche de solicitações operacionais, que acabam capturando toda a nossa atenção. Mas precisamos lutar por esse tempo, cavá-lo em nossa agenda. E, sendo realista, se não for possível, no atual ciclo contratual, pense no próximo, mas já começando o movimento agora”.
Na sequência, quem assumiu a palavra foi a gerente predial Anna Carolina Garcia, representante do CBRE Brasil, braço da maior empresa mundial de serviços imobiliários comerciais. De acordo com ela, para antever o resultado que um contrato pretende entregar, é necessário estar atento a três pilares extremamente importantes: “um deles diz respeito à avaliação de riscos, sejam eles trabalhistas, reputacionais ou outros mais. O segundo tem a ver com compliance. E o terceiro pilar aponta para a definição de um escopo que seja bem definido e detalhado”.
O engenheiro civil Clovis Salomon, fundador e CEO da SH Conecta, voltada à assessoria em planejamento de projetos, obras e operações prediais, reforçou a ideia de governança corporativa: “muitas vezes, queremos contratar uma empresa que não cumpre todos os nossos requisitos de compliance. Então, não adianta perdermos tempo com tal empresa. Temos que fazer uma RFI eficaz, cujo conjunto de perguntas vai determinar quem poderá ou não ser chamado para uma licitação futura. E aí cabe a nós, que conhecemos a nossa empresa, enquanto contratantes, deixar bem claro para aquelas que desejamos contratar o que elas realmente irão encontrar conosco pela frente”.
Habitué dos eventos FM Connection, o gerente de Facilities & Travel na TotalEnergies, Fernando Fernandes, destacou a importância de envolver todo o time na definição dos contratos. “Se você for um gestor de Facilities centralizador, seu contrato pode dar errado. Por quê? Porque se as pessoas que trabalham com você não tiverem ciência de todas as cláusulas, não puderem contribuir no escopo, você correrá o risco de dizer depois ‘ah, eu não tinha pensado nisso!’, entendendo que nenhuma ideia deve ser descartada”, argumentou.
Encerrando a primeira mesa-redonda, outro velho conhecido de quem acompanha o FM Connection, o advogado William Rocha ratificou a fala de Fernando Fernandes, acrescentando, ainda, o papel do departamento jurídico, que, segundo ele, deve ser consultado desde o início, no sentido de antever certos problemas: “temos que pensar na construção de um contrato sempre ouvindo as partes. E eu simbolizo uma relação contratual como uma gangorra, em que deve prevalecer o equilíbrio. Na gangorra, quando um lado é mais pesado que o outro, e por isso controla a brincadeira, fica difícil que o mais leve continue querendo brincar. Então, a relação contratual perde sentido se um dos lados começar a perder nessa relação”.
Momento palestra
Sobre o tema “O impacto da produtividade e a valorização dos colaboradores na gestão contratual: estudo de caso de O Boticário”, o gerente de Vendas do Grupo Vikings, Maick Rodrigues, apresentou conquistas do seu contrato com a empresa de perfumaria e cosméticos enquanto representante de grupo contratado para prestação dos serviços de Facilities. Ele iniciou sua apresentação por uma pesquisa interna, intitulada “Desafios do mercado de Facilities: competição focada em preço, falta de inovação e baixa qualidade”. “Esses pontos, hoje, são nossas dores, mas, felizmente, à custa de muito trabalho e confiança de nossos clientes, conseguimos vencer junto a O Boticário”, celebrou.
Logo após o coffee break, o segundo palestrante, André Censi, gerente comercial na PD7 Tech, explorou a “Gestão eficiente de contratos: estratégias para maximizar resultados”. Com base em sua vivência numa empresa de inovações para instalações e manutenções, ele ensejou o papel disruptivo da tecnologia: “precisamos do que para analisar KPIs, riscos, absenteísmo, turnover alto e outras situações? De dados! E só inovações tecnológicas podem trazê-los e organizá-los de maneira que todo o time de campo, inclusive, possa visualizá-los”.
Como quantificar e avaliar os contratos nas duas pontas
A segunda mesa-redonda do dia levou mais quatro convidados ao palco. O gestor de Planejamento e Inovação, ligado à Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (COGIC) da Fiocruz, Bruno Amorim, falou dos desafios em lidar com propostas de redução nos contratos: “reduzir significa diminuir a eficiência e pode comprometer a entrega lá na ponta, a partir do momento em que a infraestrutura não funcionar ou deixar de atuar como deve, com o produto final podendo até ser afetado de forma irreversível. Daí procurarmos sensibilizar os envolvidos por meio de indicadores”.
A CEO da Pitney Bowes, Daniela Rocha, propôs a reflexão sobre “quando um contrato faz sentido para as duas pontas?”. Segundo ela, quando propicia “aquele velho jargão do ganha-ganha, em que ninguém perde e todos ganham. Aliás, na prestação de nossos serviços, enquanto fornecedores, prezamos inclusive por férias, políticas de inclusão e outros valores tão perseguidos por quem trabalha”.
Na vez da então coordenadora de Facilities na seguradora Prudential do Brasil, Domenique Pereira, hoje coordenadora na ENGIE Brasil, ela defendeu que o aspecto relacional sempre deve ser levado em conta, “com indicadores de nível de serviço (SLIs) bem definidos, incluindo bonificação para quando esses SLIs forem superados e, infelizmente, multa para quando os respectivos índices de prioridade não forem alcançados”.
Última a falar na parte da manhã do evento, a diretora de Relacionamento, Marketing e Novos Negócios na Temon Serviços, Ana D’Ávila, apontou desafios de contratação e retenção de mão de obra à luz de certos contratos: “tenho um case recente de uma empresa cujas exigências da RFP, e depois do contrato, incluíam ter 60% da equipe residentes até sete quilômetros do site e, de preferência, inscritos no Bolsa Família. Agora, para atuar num edifício comercial de São Paulo, respeitando esse raio de moradia, imaginem a dificuldade de contratar eletricistas e manutencistas do Alto de Pinheiros ou do Itaim Bibi?”.
FM Business: qualidade do ar interno
Após intervalo para o almoço, a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz, Dra. Nelzair Vianna, assumiu o microfone para falar sobre “Impactos do mofo na saúde e nos ambientes: a perspectiva científica”. De acordo com ela, precisamos nos precaver contra alergias respiratórias causadas por diversos tipos de fungos. “Apesar de coexistirmos com micróbios, posto que hospedamos microrganismos em número ainda maior do que os nossos 38 trilhões de células, não podemos nos descuidar em relação à ameaça de ações patogênicas decorrente da exposição a esporos e fragmentos de hifas”, alertou.
O segundo palestrante da tarde, engenheiro civil Leonardo Cozac, CEO da Conforlab Engenharia Ambiental Ltda., complementou a apresentação da pesquisadora com uma provocação sobre “Como identificar e remediar o mofo”. “Se nós tivéssemos chegado aqui neste auditório e encontrado uma parede inteira mofada, ou o teto, o que nós faríamos? Insistiríamos em participar do evento diante desse cenário? Não deveríamos, né? Mas o meu medo é que alguém responda sim!”, desabafou, antes de dar sugestões para redução de incidência de mofo.
Fechando os trabalhos, o diretor de Serviços na Ecoquest, Frederico Paranhos, fez um histórico do movimento de atenção no Brasil à qualidade do ar que se respira em ambientes internos. A própria Ecoquest surgiu a reboque dessa preocupação e, desde 2006, vem somando esforços com outras entidades. “No começo, um dos problemas que mais enfrentamos foi o mofo na hotelaria, principalmente em cidades litorâneas como o Rio de Janeiro. Por isso, vocês, profissionais de FM, responsáveis pela integridade das instalações e de quem circula por elas, devem estar sempre atentos a esse problema, que pode ser invisível, mas potencialmente pernicioso à saúde”, encerrou.



