Do ambiente televisivo para a área de seguros

AQUI TEM FM

Após 13 anos atuando como head de Facilities num canal de TV, a administradora Moema Neiva levou sua expertise em FM para uma empresa seguradora.

Para quem estava habituada a transitar por estúdios, locações e objetos de cena, a vida teve que imitar a arte direitinho. Pelo menos, no que diz respeito às voltas que o mundo dá e à consequente habilidade de se adaptar rapidamente a mudanças. Quem diria que, após 13 anos à frente de Facilities na Warner Bros. Discovery para a América Latina, no escritório de Santiago do Chile, a administradora Moema Neiva iria levar sua experiência para a Marsh McLennan Corretora de Seguros, ainda na capital chilena?

Mudança de cenário à parte, fato é que Moema parece estar tirando de letra os novos desafios: “o ritmo em televisão é mais acelerado, com muito mais demandas imprevisíveis se comparado a setores convencionais. Mas, em todas as áreas, precisamos ser resilientes, ter rápida adaptação e fazer gestão eficiente de contratos e fornecedores”, argumenta ela.

Para o bom funcionamento do ambiente televisivo, mais dinâmico por natureza, há que ter infraestrutura confiável que possa suportar a escala 24/7 de operação. Outros dois pontos específicos têm a ver com acústica e vibração, em que estúdios exigem controle bem mais rigoroso do que escritórios tradicionais, e flexibilidade da infraestrutura, já que montagens e desmontagens rápidas de cenário são necessárias para os diferentes programas, impactando toda a logística e manutenção. Sem falar em onde e como guardar todo esse material cênico – baita foco de atenção.

Diferentes desafios

Ainda que emissoras de TV e seguradoras operem com estruturas e demandas críticas, as exigências são para finalidades distintas, como analisa a gestora de Facilities: “Energia e climatização em televisão, por exemplo, devem ser ininterruptas, principalmente para transmissões ao vivo. Já no setor de seguros, elas impactam, sobretudo, os espaços de call centers e data centers, que suportam operações essenciais. Nesse caso, manutenção preventiva dos sistemas elétrico e de ar condicionado, incluindo várias redundâncias, são cruciais. Quanto ao controle de acesso, em TV, além de proteger o conteúdo, ajuda a dificultar a entrada de curiosos. Nas seguradoras, a preocupação está no resguardo de informações sensíveis e no compliance regulatório”.

Com relação às oportunidades de ascensão na carreira, em televisão, subir de posto exige forte capacidade de resposta rápida, adaptação a novas tecnologias e gestão eficaz de equipes multidisciplinares. “Por mais dinâmico que o ambiente possa ser, em TV existe menos daquela estrutura formal de promoção a que estamos acostumados no mundo corporativo, por avaliação de desempenho stricto sensu. Enquanto isso, no setor de seguros, o desafio reside em equilibrar inovação e eficiência operacional dentro de um modelo mais estruturado”, pondera Moema Neiva.

Segundo ela, “existe ainda a necessidade de provar o valor estratégico do profissional de FM para os executivos securitários, indo além mesmo da operação e entrando já no planejamento corporativo”.

Moema Neiva

Seguranças do trabalho e patrimonial

Nos dois segmentos em questão no currículo de nossa fonte, segurança é essencial. Na TV, há riscos físicos inerentes a cenários e equipamentos, além de constantes protestos ou manifestações públicas nas cercanias do prédio, fazendo-se necessário redobrar atenção às pessoas que entram na emissora. “Controle de acesso é fundamental para proteger tanto dados sigilosos, quanto partes mais sensíveis de infraestrutura, o que torna super indicada uma relação estreita com a área de segurança geral para atualização de novos sistemas”, recomenda Moema.

No setor de seguros, com sua crescente digitalização, segurança cibernética tornou-se um fator adicional para as equipes de FM considerarem, trabalhando para o implemento de medidas contra invasões físicas que possam comprometer servidores e documentos estratégicos.

Tudo isso, num contexto e no outro, deve começar por contratos bem estruturados de prestação de todos os serviços: “o documento deve conter KPIs (Key Performance Indicator, Indicadores-chave de Desempenho) claros e mensuráveis, definição precisa do escopo, mecanismos de SLA (Service Level Agreement, Acordo de Nível de Serviço) com penalidades bem definidas, previsão de revisões periódicas para ajustes e melhorias e flexibilidade para alterações conforme as necessidades forem mudando. Ou seja, trata-se de buscar parceria estratégica em vez de uma relação meramente comercial”, enfatiza Neiva.

Segurança psicológica sem fronteira

Por residir em outro país, trilhando carreira internacional, alguns cuidados precisaram entrar no radar da líder de Facilities: “a experiência internacional exige adaptação a normas regulatórias, cultura e modelo de trabalho. Exemplo disso são as leis de segurança e de sustentabilidade que exigem certificações e metodologias específicas. Para se prevenir contra eventuais dores de cabeça, os contratos devem ser estruturados mediante forte trabalho em conjunto com as áreas jurídica e de Recursos Humanos”.

Em se tratando de segurança psicológica, tanto o meio televisivo quanto o de seguros têm lá suas ameaças. O primeiro, por ser altamente competitivo, com pressão por resultados e prazos curtos. E o segundo, apesar de mais estável, apresenta outros fatores de estresse, como metas agressivas, fusões e mudanças organizacionais.

“Em ambos os casos, podemos contribuir criando espaços saudáveis de convivência e ergonomicamente adequados, implementando áreas de descanso e bem-estar, promovendo ambientes físicos que favoreçam a colaboração e reduzam o estresse. Considerar o conforto de todos pode ser a chave para evitar conflitos de egos e outros infortúnios”, encerra a executiva.

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