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“Nada será como antes”

Gente & Gestão

Modelos de trabalho experimentados nos últimos três anos ditam novos workplaces

No passado nem tão distante, era muito comum vermos aqueles edifícios corporativos lotados de pessoas se movimentando para cima e para baixo, tomando seus lugares nas incontáveis salas e escritórios, em escala 5×2, de segunda a sexta-feira. Hoje, no período pós-pandemia da covid-19, alguma coisa mudou. E só não vê quem não quer! O empresário Alexandre Teixeira que o diga… fundador e CEO da Kucca Solutions, especializada em soluções integradas para empresas, acaba de retornar da Alemanha, onde liderava projetos de Real Estate, Workplace Strategy e Business Transformation globalmente, e, do alto dessa experiência, afirma que o empreendedor que não estiver atento à corrente vai ficar a ver navios.

“Quando a pandemia chegou, a maioria dos empresários teve que repensar seus espaços para evitar a quebra do negócio. E hoje mesmo, neste período pós-pandêmico, identificamos movimentação importante nos próprios edifícios AAA, aqueles mais avançados e inteligentes, e um vácuo sendo criado nos chamados prédios secundários. E empresas que conseguiram reduzir suas instalações físicas acabaram abrindo brechas nos custos para concentrar suas atividades em edificações mais modernas, com ganho, inclusive, de melhor imagem corporativa”.

Segundo o especialista, ainda que a regra de produtividade e sucesso esteja se tornando cada vez mais clara, há uma resistência de mercado que atrapalha a readequação necessária aos novos tempos: “ainda vemos workplaces da década de 90, fechados entre quatro paredes, baseados na hierarquia, coexistindo com grandes espaços abertos ancorados em baixo custo de implantação. E são poucos os escritórios que se utilizam de especialistas que avaliam o workplace como fator estratégico da empresa, com projetos que impactem tanto a marca, saúde mental, inclusão, mobilidade, atração e retenção de talentos, quanto os benefícios financeiros do negócio, da pegada de carbono e mais uma lista de intenções”.

Compromisso ambiental

Sustentabilidade é outro tema emergente quando se fala em novos paradigmas. “Não basta mudar a cor das paredes ou colocar frases de efeito para ser mais sustentável. É preciso adotar medidas concretas!”, defende Alexandre. E nesse rol de medidas, num cenário mais amplo, enquadram-se pressionar o mercado para criação de edifícios com emissão neutra de carbono, usando tecnologias sustentáveis desde a construção, e projetar escritórios que participem de iniciativas que beneficiem a sociedade ou o meio ambiente onde estiverem inseridos – o que demanda dos gestores de facilities o poder de persuasão da alta cúpula empresarial.

No dia a dia, modelos de trabalho híbrido e remoto, por sua vez, também vieram a adotar práticas sustentáveis. Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) indica que trabalhar em casa um dia por semana já é uma forma de reduzir o aquecimento global, uma vez que a energia consumida em home office é menor do que aquela que seria gasta só no deslocamento, fruto da queima de combustíveis fósseis. Mas um cuidado deve ser redobrado: “na jornada híbrida, deve-se precaver contra geração duplicada de resíduos em dois escritórios, o de casa e o da empresa”, alerta Alexandre Teixeira ao argumentar que só os edifícios consomem 40% da energia produzida no mundo e são responsáveis por 33% da emissão dos gases de efeito estufa.

Tempos modernos

O comportamento humano é outro aspecto que deve ser considerado no planejamento de novos espaços de trabalho, já que a tecnologia combinada ao longo período de isolamento – ou de home office – despertou os indivíduos para processos, costumes e modelos de negócio antes insuspeitados. Tanto que Alexandre Teixeira é categórico ao dizer que “as formas de trabalho não serão mais como conhecemos antes da pandemia. As tecnologias têm sido tão disruptivas que estão por provocar verdadeira revolução, sobretudo, nas atividades de baixa complexidade, segundo estimativa do Fórum Econômico Mundial (WEF), prometendo afetar em cheio o número de estações e a produtividade das pessoas que permanecerem nas empresas”.

Com taxa de ocupação dos escritórios abaixo de 50%, ou carga horária reduzida a três dias por semana, Alexandre argumenta que “não há resultado financeiro que justifique um grande empreendimento vazio com custo operacional em plena carga: empresas impondo políticas de três a cinco dias da semana de modelo presencial, com média real de utilização de 1,5 a 2,5 dias por semana, têm tudo para dar errado do ponto de vista de retorno sobre o investimento”.

E daqui para frente, haja expertise para projetar workplaces que atendam a todas as exigências emergentes. Como nosso entrevistado faz questão de lembrar, “os projetos atuais são multidisciplinares e, como sempre, atingem diretamente a estratégia do negócio. Daí, um planejamento de ambientes de trabalho, sem um profissional especializado que possa intermediar as áreas de Recursos Humanos, Comunicação Interna, Tecnologia, Real Estate, Facilities, Fornecedores, Finanças, Assuntos Jurídicos e Sustentabilidade, está correndo o risco de dar errado ou de perder oportunidade incrível de alavancar o sucesso da empresa”.

“As formas de trabalho não serão mais como conhecemos antes da pandemia. As tecnologias têm sido tão disruptivas que estão por provocar verdadeira revolução”.
Alexandre Teixeira

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