FM BUSINESS
O Desafio Invisível da Gestão de Facilities
Evento gratuito reuniu especialistas em Curitiba para debater boas práticas, legislação e cases de sucesso na gestão da qualidade do ar em ambientes corporativos
No dia 13 de fevereiro de 2025, o Espaço Sala, em Curitiba, recebeu o FM Connection Business, um encontro dedicado a discutir a qualidade do ar interior (QAI) e seus impactos na área de Facilities Management. Com o tema “Qualidade do Ar Interior”, o evento reuniu profissionais do setor para trocar experiências, debater as implicações do PL 428/2023 e apresentar soluções práticas para garantir ambientes mais saudáveis e produtivos.
Um debate necessário
Mediado por Denise Manenti, profissional com vasta experiência em Gerenciamento de Facilities, o evento destacou a importância do tema. “O evento trabalhou temas relevantes e proporcionou conhecimento, mas o mais importante foi a conexão e a troca entre pessoas”, afirmou Denise.
Embora não seja possível controlar a qualidade do ar exterior, os profissionais de FM têm a responsabilidade de garantir um ambiente interno saudável. “São eles que precisam entregar as condições de saúde e bem-estar para os usuários de suas instalações”, destacou. Alergias, doenças respiratórias, sonolência e cansaço estão diretamente ligados à baixa qualidade do ar interior, aumentando o absenteísmo e gerando prejuízos financeiros para as empresas. Além disso, organizações podem sofrer ações judiciais por não garantir um ambiente saudável. Controlar a qualidade do ar, portanto, não deve ser visto como um gasto, mas como um investimento. Mas como fazer isso na prática?
Carpetes e manutenção: mitos e verdades
Paulo Jubilut, CEO da Millicare e presidente do Programa Nacional de Qualidade do Ar Interior (PNQAI), desmistificou a ideia de que carpetes são vilões. “Carpetes não são inimigos, pelo contrário: são aliados para a manutenção da boa qualidade do ar”, explicou. “Em um piso frio, a poeira acumulada ao longo do dia fica em suspensão. O carpete atua como um filtro e retém essa poeira. Então, é fundamental cuidar da qualidade desse filtro, fazendo sua manutenção desde o dia de sua instalação.”
Jubilut ressaltou que a QAI é uma questão de saúde pública e que os gestores de Facilities devem entender sua responsabilidade. “A legislação aponta como se deve manter aquele ambiente e como essa informação deve ser disponibilizada para o usuário”, completou.
PMOC, PL 428/2023 e a Semana Estadual da QAI no Paraná
A manutenção periódica de sistemas de ar-condicionado e o combate ao mofo, à poeira e à umidade já são previstos no Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), documento obrigatório para edifícios climatizados. Mas, como destacado no evento, apenas seguir o PMOC não basta.
No Paraná, a Semana Estadual da Qualidade do Ar Interior, realizada anualmente em agosto, é uma iniciativa importante para divulgar os padrões mínimos de QAI em edifícios públicos e privados. Além disso, o PL 428/2023, que amplia as exigências para sistemas de refrigeração comercial, já está em vigor no estado e deve se estender para todo o Brasil em breve. É preciso que os profissionais de FM estejam preparados para adequar suas instalações e operações diárias.
Cases de sucesso: tecnologia e inovação em QAI
Ana Machado, Real Estate Facilities Manager Brazil na Shell, compartilhou sua experiência com monitoramento contínuo no prédio da empresa no Rio de Janeiro. “Quando se testa alguma coisa e dá certo, é papel do profissional compartilhar a experiência”, disse. Ela destacou a importância de medir parâmetros como a temperatura, a umidade relativa do ar, a compreensão dos níveis de CO2 (gás carbônico, que, em níveis elevados, pode causar sonolência), partículas suspensas e detecção de compostos orgânicos voláteis. “Se esses parâmetros forem medidos a cada cinco minutos, fica mais fácil provar os cuidados com a qualidade do ar interior”, explicou. Ana ainda reforçou: “Abraçar os desafios é o primeiro passo para superá-los, transformando obstáculos em oportunidades de crescimento”.
Já Eduardo Mattos, sócio da Forte Desenvolvimento Sustentável, apresentou cases como o da Novo Nordisk e Engepoli, que alcançaram eficiência na gestão de Facilities por meio de certificações ambientais. “Hoje, grandes empresas precisam de relatórios de sustentabilidade, e as certificações são ferramentas essenciais para isso”, afirmou.
O evento deixou claro que o profissional de FM deve agir preventivamente, utilizando sensores, aplicativos e boas práticas para monitorar a qualidade do ar interior. Não se pode esperar a demanda do usuário, porque quando ela surge, a qualidade do ar já está comprometida. Mais do que cumprir normas, é preciso conscientização, inovação e colaboração para garantir ambientes saudáveis e produtivos. E você, está preparad@ para esses desafios?



