Receita para gestão aprazível e segura

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Mediação, inspiração e estratégia, sem tirar os olhos da legislação, são recomendadas para todo e qualquer líder de FM sem contraindicação.

Segurança física, do trabalho, patrimonial, jurídica, digital são apenas alguns tipos que vêm à cabeça quando a pergunta é “quais cuidados a segurança integral em FM deve abranger?”. E quem responde com esse checklist é o sócio administrador da AMS Facility Ltda., Alessandro Soares, fornecedor não apenas de mão de obra terceirizada, mas de soluções completas para atender às exigências de cada empresa:

“Sob a ótica operacional, precisamos garantir a segurança física, fazendo proteção com sistemas de vigilância, controle de acesso e prevenção de incêndios; a segurança do trabalho, aderindo a todas as normas de saúde e segurança ocupacional; a segurança patrimonial, protegendo os ativos da empresa contra furtos, danos ou acidentes; a segurança jurídica, gerenciando riscos operacionais e contratuais; a segurança digital, implementando medidas de proteção de dados pessoais e informações sensíveis, de acordo com a LGPD; entre outras nuances”.

Na gestão e operação de colaboradores terceirizados, é enorme a lista de pontos de atenção que profissionais de FM devem ter. Segundo Alessandro Soares, para garantir eficiência, conformidade e mitigação de riscos, esses pontos incluem “o estabelecimento de contratos claros, com definição de escopo, obrigações e indicadores de desempenho; compliance trabalhista; fiscalização da execução dos serviços; conformidade com normas e certificações, pois, dependendo do setor, é necessário assegurar que prestadores atendam a requisitos ambientais, sanitários, técnicos e de segurança patrimonial; e relacionamento e comunicação muito bem alinhados”.

À luz do Direito

Embora o papel do profissional de FM esteja bastante focado em infraestrutura, serviços e gestão de ativos, existem diversos aspectos jurídicos que demandam atenção. A advogada com mais de 15 anos de experiência em grandes companhias públicas e privadas, head Jurídica da AMS Facility Ltda., Paola Massambane, lembra que o próprio Direito do Trabalho estabelece Normas Regulamentadoras (NRs) claras para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores, como a NR-32, que trata de segurança laboral em instalações e serviços de saúde.

“No entanto, a aplicação prática dessas normas depende do cumprimento pelas empresas e da fiscalização pelos órgãos competentes. Reforçando que, apesar de as leis oferecerem um bom suporte, o verdadeiro desafio está na implementação eficaz, no cumprimento contínuo e na adaptação das normas à realidade das empresas, especialmente com o crescente aumento dos riscos digitais e a complexidade das operações empresariais modernas”, acrescenta a advogada.

Vidas pessoal e profissional

Para minimizar a interferência de problemas pessoais no trabalho e preservar a segurança psicológica, o gestor Alessandro Soares alega que “é importante promover a flexibilidade, oferecendo opções de horários e, quando possível, home office, para que os colaboradores possam equilibrar suas responsabilidades pessoais e profissionais; cultura de apoio, numa rotina organizacional que valorize a empatia, o diálogo aberto e o suporte emocional, permitindo que os funcionários compartilhem dificuldades pessoais sem receio de repercussões negativas; treinamentos e recursos de saúde mental, como programas de assistência aos funcionários (EAP), para lidar com o estresse e as pressões diárias, entre outras formas de apoio psicológico”.

Alessandro Soares

Pelo prisma jurídico, e com base em experiências negativas que a advogada Paola Massambane já vivenciou em sua carreira, ela elenca outras práticas fundamentais para evitar, por exemplo, demissão no retorno de uma licença-maternidade e a instalação de ambientes tóxicos com abuso de gestão e assédio moral. “Algumas ações importantes incluem respeito integral a direitos trabalhistas, políticas rigorosas de prevenção ao assédio moral e ao abuso de poder e treinamento contínuo da liderança para lidar de maneira empática com questões pessoais dos seus times”, reforça.

Paola Massambane

“O X da ‘gestão’”

“Liderar equipes de trabalho envolve uma série de desafios que exigem equilíbrio entre estratégia e sensibilidade humana. Há muitas arestas a aparar e nós a desatar, principalmente porque estamos lidando com pessoas – cada uma com suas motivações, desafios e formas de enxergar o trabalho”, reconhece Alessandro ao falar sobre as bases de uma boa relação contratual entre tomador e prestador de serviços.

Segundo ele, é essencial que qualquer contrato defina obrigações, prazos e critérios de qualidade, evitando conflitos. “A gestão dos riscos trabalhistas deve garantir conformidade legal para evitar passivos. O pagamento justo e pontual assegura a sustentabilidade do prestador. O tomador deve fiscalizar o cumprimento das obrigações sem interferir diretamente na gestão dos terceirizados. Além disso, cláusulas de rescisão e penalidades devem ser justas e equilibradas”, complementa.

Sob a ótica jurídica, Paola Massambane destaca que “a liderança de equipes exige atenção a aspectos como terceirização e vínculo empregatício (Lei 13.429/2017), conflitos trabalhistas (assédio, discriminação e rescisões), compliance e políticas internas, teletrabalho e direito à desconexão (MP 1.108/2022) e negociações sindicais, numa gestão que saiba equilibrar exigências legais e boas práticas para evitar riscos e sustentar um ambiente seguro e produtivo”.

“No fim das contas, liderar é um trabalho constante de mediação, inspiração e estratégia. Quem assume esse papel precisa estar sempre em evolução, desenvolvendo suas próprias habilidades para ser capaz de potencializar o melhor em cada pessoa da equipe”, arremata o líder da AMS Facility Ltda.

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