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Tecnologia e seu poder de inovação digital e humana

Ping-Pong

“Na crista da onda”, como se dizia no passado, está a Inteligência Artificial (IA), dominando todas as tendências tecnológicas neste ano de 2023. Quem nos fala um pouco desse movimento que claramente se agiganta sobre a sociedade é o especialista em Tecnologia, Inovação e Tendências, Arthur Igreja. Pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e universidades estrangeiras, TEDx speaker, palestrante internacional e autor do livro “Conveniência é o nome do negócio”, ele é grande entusiasta da IA e mais ainda de todo e qualquer avanço tecnológico que faça sentido no dia a dia e melhore a vida das pessoas.

FM Connection: Quais são as inovações e tendências tecnológicas de hoje?
Arthur Igreja: Inegavelmente, a grande tendência que, na verdade, já é realidade, é a inteligência artificial, sendo ela o grande tema do ano. Mas, além disso, estamos falando de um avanço enorme em outros temas: aparentemente, estamos chegando perto de ter supercondutores à temperatura ambiente, que configurariam mudança radical nas possibilidades tecnológicas e avanço muito grande na conectividade através de satélites suborbitais, com muitos dispositivos conectados. Então, é a chamada Internet das Coisas (IoT) finalmente se materializando.

Praticamente a humanidade toda conectada e isso traz uma série de impactos, como mudanças na indústria e no varejo e hipercustomização e dominância dos algoritmos e das redes sociais. Tudo isso, sem dúvida, é tendência. E as inovações são as consequências possíveis, habilitadas por isso, ou seja, experiências cada vez com menos fricção e atrito, numa integração muito maior das cadeias, por exemplo, do sistema financeiro de uma forma global, não só através de tokens e de criptoativos, mas tudo se integrando, com o mundo ficando menor, e tudo ficando muito mais ágil e fácil. E nós passamos a ter uma quantidade absurda de dados para tomar decisões, para entender o que está acontecendo, para fazer diagnósticos. Isso posto, as inovações são os desdobramentos possíveis, habilitados muitas vezes por tecnologia.

FM: Qual é a diferença entre inovação e tecnologia?
AI: Tecnologia é uma ferramenta que possibilita algo diferente. E a inovação é um arranjo de tecnologias, de processos, um modus operandi que até então não tinha sido tentado e que apresenta resultados melhores comparados aos que existiam.

Inovação nada mais é do que encontrar novas formas para fazer algo e alcançar resultados melhores. Por isso, pode ter um contexto local, ou seja, não precisa ser uma inovação para o mundo. Por exemplo, se em uma determinada cidade alguém faz algo que nunca foi feito lá e o resultado é melhor, foi uma inovação em âmbito municipal.
Tecnologia é qualquer artefato, software, hardware que ajuda as pessoas a serem mais produtivas, mais eficientes, fazendo-as conseguir alavancar suas capacidades e tornando-as mais rápidas, com acesso a maiores quantidades de dados.

FM: Como humanizar a transformação digital ou tirar proveito dela para as pessoas?
AI: A transformação digital pode ser humanizada a partir do momento em que o ser humano for reconhecido como o fim para ela, ou seja, é o porquê daquilo fazer sentido. Se esse pressuposto for respeitado, ela será humanizada, não será simplesmente guiada pela tecnologia ou irá se encerrar nela mesma. Na verdade, são diferenças de approach, de ponto de partida, de propósito daquilo estar sendo feito. Se o tempo inteiro a pergunta feita for “como isso muda para melhor a vida das pessoas?” ou “como o ser humano é beneficiado com isso?”, tudo fica diferente. É uma questão de perspectiva.

FM: Sobre Inteligência Artificial (IA), ela veio mais para acrescentar ou para prejudicar?
AI: Para acrescentar, sem dúvida. É preciso lembrar sempre disso: a tecnologia é a ferramenta e, se ela será boa ou ruim, a aplicação cabe aos humanos. Não é uma entidade com vida própria, não é algo que, de repente, assume o controle das coisas. Precisamos lembrar que IA usa algoritmos, e esses algoritmos, por mais que tenham deep learning, machine learning, uma certa capacidade de aprendizado por conta própria, como isso se desenrola foi e é determinado por pessoas. Durante todo o tempo, estamos falando, na verdade, de decisões tomadas por pessoas, com todas as crenças traduzidas em software, mas ainda assim com pessoas por trás. Então, vejo aplicações espetaculares com IA em todas as frentes, em diversas áreas. Estou muito entusiasmado, olhando muito pelo lado do que ela pode acrescentar.

FM: À luz da IA, qual é o alinhamento estratégico esperado no mundo corporativo?
AI: Um alinhamento estratégico pautado por, primeiro, reconhecer o que está acontecendo, ou seja, tecnologia não é mais exatamente uma opção. É preciso ter muita proximidade com isso. Mas, voltando àquela questão da humanização, há que se ter uma clareza bem grande do que se busca otimizar, do que se espera conseguir com esse avanço a partir da inteligência artificial. E também me parece que é muito importante entender que esse avanço só acontece quando é um esforço absolutamente transversal. Não é mais uma questão unicamente do setor de TI.

Fundamentalmente, todos os envolvidos em uma empresa precisam ter esse alinhamento estratégico, que passa pela utilização da inteligência artificial não só como vantagem competitiva, mas como pré-requisito.

FM: Enfim, eis a questão: ser otimista ou não ser?
AI: Estou no espectro otimista cuidadoso, otimista pragmático. O otimismo cego pode levar a uma falta de criticidade em momentos importantes. Por isso que acredito que é necessário, sim, ter o otimismo, mas sempre com cautela.

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