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Sustentabilidade (também) é a nossa marca

2º FM CONNECTION

“E AGORA, JOSÉ?”. Foi com essa pergunta, parafraseando o poeta Carlos Drummond de Andrade, que o facilities manager Fernando Carrasqueira, um dos idealizadores do FM Connection, abriu a mesa-redonda do 2º Encontro de Gerenciamento de Facilities, em 29 de setembro de 2022, no Edifício Aqwa Corporate, no Rio de Janeiro. A referência ao primeiro verso do poema “José”, ainda que publicado originalmente há oitenta anos – muito longe de se ouvir falar no tema sustentabilidade – traduziu bem o tom daquele segundo encontro.

Em face de todos os desafios a serem vencidos na prática de ESG (Environmental, Social and Governance), sigla totalmente relacionada a desenvolvimento sustentável, nada mais justo que o uso da provocação de Drummond para definir o grau de preocupação de gestores do mundo corporativo para com as questões globais (e urgentes) do meio ambiente. Daí, um time de especialistas foi reunido naquele centro de convenções para falar desde movimento Green Building, passando por uma ferramenta tecnológica para facilitar o trabalho de FM, até estratégias socioeconômicas ecologicamente recomendadas.

E, pegando a deixa da facilities manager Ana Machado, outra idealizadora do evento, ao reforçar que “sustentabilidade não implica obrigatoriamente em grandes investimentos”, que tal começarmos pela leitura do resumo do que foi aquela noite para, quem sabe, alcançarmos tudo o que foi dito em matéria de ser e bem-estar em sociedade, com vistas à preservação da vida no planeta?

EDIFICAÇÕES SUSTENTÁVEIS CRESCEM NO BRASIL

Como CEO do Green Building Council Brasil (GBC Brasil) há mais de 15 anos, o advogado Felipe Faria trouxe boas novas durante sua palestra “Pequenas ações, grandes impactos: como o FM pode contribuir?”. Entre as notícias, a de que foi verificado crescimento de 20% em projetos de construção civil registrados no país para certificação de sustentabilidade – isso em apenas dois anos de pandemia da Covid-19.

Segundo ele, “o Brasil é o 5º país certificado, ou que busca essa certificação, num total de 186 países. E, só nos últimos três anos, viemos demonstrando disposição para investir em inteligência, em projetos, de forma a atingir os mais altos níveis de certificação sem acréscimo dos custos de construção”. E o engajamento de toda a cadeia produtiva é de suma importância: “para o trabalho de eficiência energética, por exemplo, que reduz ou elimina o desperdício, há que investir em inovação de arquitetura e engenharia, mas também em profissionais, empresas e soluções de FM”.

Felipe Faria

PLATAFORMA MILLICLICK IOT TRAZ FACILIDADES PARA PROFISSIONAIS DE FACILITIES

Após apresentação do diretor-executivo do GBC Brasil, outro convidado comprometido na promoção de sustentabilidade, só que, agora, investindo em manutenção e higienização de revestimentos têxteis. E como só pôr a mão na massa não basta – é preciso dispor de meios para acompanhar todo o processo – o CEO da MilliCare Brasil, Paulo Jubilut, demonstrou uma tecnologia exclusiva para melhorar a vida do gestor corporativo: a palataforma milliClick, que carrega o monitoramento de todo o ambiente, incluindo mobiliário e assoalhos, por catalogação em QR Codes (para móveis) e fluxo de manutenção (para carpetes).

“Além da gestão do patrimônio, o FM ainda vai ter o desempenho ou relatório ESG do serviço MilliCare digitalizado na ferramenta milliClick”, uma calculadora onde são embarcados diversos dados que revelam, inclusive, a qualidade do ar. De acordo com o CEO da Omni-electronica, o engenheiro Arthur Aikawa, desenvolvedor do sistema, “as infraestruturas de monitoramento da qualidade do ar estão conectadas diretamente à nuvem e são acessadas pelo milliClick, que junta na sua visualização não apenas todos os serviços e apontamentos que estão sendo realizados, mas também a qualidade do ar”.

Outro engenheiro convidado a falar foi o CEO da Sustentech, João Marcello Gomes Pinto, encarregado de gerar as informações de ESG para o dispositivo: “quanto dos consumos de energia e de água o serviço MilliCare reduz? Quanto de resíduos deixa de ser descartado? Quanto de CO2 deixa de ser emitido? Então, nosso trabalho é traduzir toda a operação em números, traduzir sustentabilidade, para que as lideranças nas empresas possam tomar decisão”.

E foi exatamente com base nessas informações ou números positivos de ESG que as gestoras de FM Gislaine Ferronatto e Angela Savi, da Aker Solutions, tomaram a decisão de vir partilhar seus avanços após contratação dos serviços MilliCare. E como o próprio prestador, Paulo Jubilut, concluiu: “a Aker tem instalados quase 5.000 m² de carpete e, pelo fluxo de manutenção 2,3, conseguimos higienizar quase 13.000 m² por ano, economizando em torno de 5.000 litros de água e quantidade de energia suficiente para manter ‘ligadas’ 177 casas populares, com quatro moradores, durante um mês”. Uma economia, de fato, significativa no bolso da sociedade e nos recursos do planeta.

COMO APLICAR A SUSTENTABILIDADE NO DIA A DIA?

Paôla Borges, da John Richard Soluções de Mobiliário, parecia até que já sabia o tema do próximo FM Connection. Ao abrir a mesa-redonda, trouxe logo uma informação que tangencia o que vai ser tratado nesta 3ª edição do evento: “com base nos dados de antes da pandemia, o ambiente de trabalho costuma mudar a cada três anos. Mas, com a adoção do modelo híbrido, há especulações de que essa mudança vá acabar acontecendo entre um ano e meio e dois anos”. De onde ela mesma concluiu que os gestores, agora, devem redobrar sua atenção para as formas de esse novo jeito de trabalho impactar o layout das empresas, de modo a preterir a compra de ativos novos por práticas de retrofit e locação.

Ideia com a qual o gerente da Ambiensys Gestão Ambiental, Guilherme Geronasso, fez coro, visando evitar o descarte desnecessário. De acordo com ele, “a correta gestão de todos os resíduos começa pela gestão do desperdício”. E, na sequência, em combate mesmo ao desperdício, entrou em cena um convidado especial, com uma contribuição mais especial ainda: o chef de cozinha Rafael Cardozo, que promoveu a degustação de salpicão de casca de melancia e brigadeiro com casca de banana. Dois exemplos de receitas que, segundo ele, aproveitam toda a sobra limpa dos alimentos.

Saciada a vontade de provar os belisquetes sustentáveis, foi a vez do gerente de contratos Latam da Shell Brasil Petróleo, Alexandre Quedinho, compartilhar suas ideias: “o primeiro ponto é o profissional de facilities entender que ser sustentável é atender a uma demanda hoje sem impactar o futuro. E, uma vez entendido isso, ele tem que ser um agente de transformação cultural, já que chegamos ao ponto crítico em que o meio ambiente não consegue mais se regenerar para atender a todos os nossos ‘caprichos’”. Na esfera de contratos e licitações, Quedinho lembrou que não se pode mais comprar ou negociar com base apenas em menor preço, tendo em vista a responsabilidade socioambiental que todos devem (urgentemente!) assumir.

Por último, quem trouxe suas contribuições à mesa-redonda foi a diretora de sustentabilidade da JLL, Luciana Arouca. Além de destacar a importância de as políticas de meio ambiente dialogarem com as pautas de diversidade, equidade e inclusão (DE&I), ela reforçou que “ser sustentável é adotar práticas que sejam ecologicamente corretas, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente diversas”. E finalizou, ratificando a metáfora citada por Quedinho sobre o movimento de mudança que todos já estão habilitados a fazer: “normalmente, o pontapé inicial de uma partida de futebol é o passe curto, daqui até ali. Depois é que o jogo flui”. O apito foi dado!

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