PVISITA HANGAR UNITED | Dia 04 AGO
Uma aula sobre infraestrutura, processos e confiabilidade
A visita técnica ao hangar da United Airlines acrescentou uma perspectiva diferente à programação do FM Connection no Florida Facilities Summit. Mais do que apresentar os bastidores da manutenção aeronáutica, a atividade mostrou como infraestrutura, planejamento, tecnologia, gestão de ativos e segurança estão conectados em uma operação que exige disponibilidade permanente.
O ponto de partida da visita foi a própria história da instalação. Construído entre 1955 e 1956 para abrigar bombardeiros B-52, o espaço pertenceu a uma antiga base aérea da Guerra Fria, transferida para a cidade de Orlando em 1972. Hoje, o complexo é utilizado pela United Airlines para atividades de manutenção. Segundo Bryan, guia e especialista da companhia, a estrutura deverá ser substituída nos próximos anos por um novo hangar. “Nós vamos nos mudar em menos de dois anos, talvez um ano”, afirmou.
Com quase quatro décadas de atuação na empresa, Bryan compartilhou sua trajetória profissional. “No dia 21 de setembro eu completo 39 anos de empresa.” Mecânico, inspetor de controle de qualidade e inspetor designado de aeronavegabilidade, ele participou da transformação tecnológica da operação ao longo dos anos.
Uma das mudanças mais significativas foi a digitalização dos processos. A unidade foi uma das primeiras a substituir documentos impressos por iPads durante as inspeções pesadas das aeronaves. “A documentação impressa costumava ter 7.000 páginas para um único avião. Agora é tudo digital no iPad”, contou.
Infraestrutura, ativos e manutenção baseada em dados
Ao longo da visita, Bryan apresentou conceitos familiares aos profissionais de facilities. A gestão da infraestrutura do hangar, por exemplo, exigiu investimentos na modernização de sistemas prediais. As portas, antes operadas manualmente com o auxílio de tratores, passaram a ser eletrificadas. Os trilhos originais, instalados em 1955, também foram substituídos.
A manutenção das aeronaves segue protocolos definidos pelo fabricante e baseados em horas de voo e ciclos operacionais. “A maioria dos componentes de um avião é substituída por horas de operação”, explicou Bryan.
Márcio Adler, representante de vendas da United Airlines no Rio de Janeiro, detalhou a lógica desse planejamento de manutenção. “O fabricante determina os intervalos de horas e ciclos. Se o engenheiro tiver que intervir fora disso, é porque deu algum problema não programado”, explicou.
Segundo Márcio, a operação combina manutenção preventiva e corretiva. Entre as ocorrências mais comuns na área do Rio de Janeiro, por exemplo, está a colisão com pássaros e a “sucção” das aves pelas turbinas durante pousos e decolagens. “Você tem que pegar a aeronave pela manhã e reparar o mais rápido possível para não cancelar o voo. Segurança vem sempre em primeiro lugar.”
O agendamento também exige controle rigoroso da capacidade instalada. “Se não tiver vaga para uma manutenção pesada, ela é agendada com meses de antecedência”, explicou Márcio.
Ele contou que no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, o hangar da companhia funciona 24 horas por dia e conta com 750 profissionais dedicados às inspeções pesadas dos modelos Boeing 767.
Redundância, segurança e experiência do usuário
Durante a apresentação dos sistemas da aeronave, Bryan estabeleceu paralelos entre o corpo humano e o funcionamento do avião. “Pense no avião como o corpo humano. Eles pegaram a anatomia humana e transformaram em sistemas mecânicos”, disse.
A explicação permitiu compreender como diferentes componentes trabalham de forma integrada para garantir confiabilidade. Motores, sistemas elétricos, freios, comandos hidráulicos, flaps, slats e spoilers foram apresentados sob a perspectiva da redundância operacional. “O avião é certificado para decolar, voar e pousar monomotor com total segurança”, destacou.
Para os profissionais de facilities, alguns temas ganharam destaque especial. O sistema de climatização da cabine, por exemplo, utiliza ar proveniente dos motores, que passa por trocadores de calor antes de ser distribuído aos passageiros. O ar é continuamente renovado e filtrado.
Bryan lembrou que a evolução dos filtros HEPA representou uma mudança importante na experiência dos usuários. “Quando comecei na aviação, em 1987, as pessoas fumavam dentro dos aviões. Hoje, o ar da cabine é continuamente renovado e filtrado.”
Outro exemplo foi a economia proporcionada pelos winglets instalados nas extremidades das asas. Segundo o especialista, a tecnologia elevou a eficiência energética em até 7%. “Conseguimos voar até o Havaí com a mesma quantidade de combustível.”
A visita terminou dentro da própria aeronave. Em grupos reduzidos, os participantes puderam conhecer a cabine de comando, observar os sistemas de controle e compreender como diferentes tecnologias se integram para manter uma operação segura.
Ao final da atividade, ficou evidente que os desafios da aviação e do facilities management compartilham os mesmos fundamentos: planejamento, manutenção, confiabilidade, gestão da infraestrutura e foco permanente na segurança.
