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Duas líderes da IFMA refletem sobre a evolução do Facility Management, o papel cada vez mais estratégico da profissão e por que a colaboração internacional está moldando o seu futuro.
O Facility Management evoluiu para se tornar uma das funções mais estratégicas das organizações modernas, conectando pessoas, ambientes de trabalho, tecnologia, sustentabilidade e desempenho dos negócios.
À medida que a profissão continua ganhando reconhecimento em todo o mundo, organizações como a International Facility Management Association (IFMA) desempenham um papel central no avanço dos padrões do setor, da educação, da pesquisa e da colaboração global.
Nesta entrevista, Grace Cubarrubia, empresária, especialista em serviços de facilities e voluntária da IFMA há muitos anos, conversa com Renée Posnik, ex-engenheira da NASA e executiva de Facility Management com mais de três décadas de experiência, sobre a evolução da profissão, o impacto crescente das certificações e pesquisas da IFMA e as oportunidades criadas pela colaboração internacional.
Elas também explicam por que o Florida Facilities Summit 2026 está abrindo espaço para os profissionais brasileiros e como o estreitamento dos laços entre as comunidades de FM dos Estados Unidos e do Brasil pode fortalecer o setor em ambos os lados do continente.


- Vocês têm trajetórias profissionais muito diferentes: Renée, com mais de três décadas na NASA, e Grace, como empresária e especialista em serviços de facilities. Como essas experiências moldaram a visão de cada uma sobre o Facility Management?
Grace: Quando entrei para o capítulo da IFMA em Orlando, ele ainda estava nos estágios iniciais, e poucos profissionais de FM participavam das atividades. Eu realmente não sabia muito sobre o que os profissionais de FM faziam, exceto pelo fato de terem me dito que eles eram meu público-alvo como representante comercial.
Pouco tempo depois, fui convidada para assumir a presidência do Comitê de Associados, mas eu não tinha conhecimento suficiente sobre a profissão para recrutar novos membros de forma eficaz.
Depois de explorar o site da IFMA e ouvir inúmeros profissionais de FM falarem sobre seus desafios, projetos e capacidade de resolver problemas, percebi que esse grupo era altamente qualificado em diversas áreas, mas, ao mesmo tempo, era pouco valorizado e frequentemente deixado de lado quando o assunto era reconhecimento, apesar de superar inúmeros obstáculos em nome de suas organizações.
Eu realmente me identifiquei com essas pessoas trabalhadoras e dedicadas, que, em sua maioria, demonstravam grande integridade e um conhecimento muito sólido em suas áreas de atuação.
Encaro meu trabalho voluntário na IFMA como uma forma de retribuir a essa comunidade extraordinária, que me ajudou a construir meu negócio na MilliCare a partir do zero e a fazê-lo prosperar no mercado do sul da Flórida.
Renée: Estou sorrindo enquanto respondo a esta pergunta. Minha formação é em Engenharia Química e Engenharia Industrial, e percebi, logo no início da minha carreira, que as pessoas que trabalhavam nos bastidores eram, na verdade, a verdadeira espinha dorsal da maior parte dos processos de reparo e preparação dos equipamentos de voo.
À medida que meu foco na NASA passou a se concentrar no Facility Management, observei exatamente a mesma realidade.
Na minha opinião, os gestores de facilities são os grandes protagonistas invisíveis. Raramente recebem reconhecimento, têm a capacidade de se comunicar com todos os níveis da gestão e com os usuários das instalações e conseguem administrar diversas atividades simultaneamente com enorme competência e naturalidade.
A segunda metade da minha carreira foi dedicada a oferecer reconhecimento a esses profissionais, além de proporcionar treinamento e oportunidades para que pudessem se conectar com outros gestores de facilities, como forma de valorizar o importante trabalho que realizam.
- Fundada em 1980, a IFMA reúne atualmente mais de 26 mil profissionais em mais de 140 países. Na prática, como a missão, a visão e os valores da associação se traduzem em benefícios concretos para os associados e contribuem para o desenvolvimento profissional?
Grace: O alcance global da IFMA nos permite criar conexões com profissionais de Facility Management do mundo inteiro, como acontece, por exemplo, durante o World Workplace.
Além disso, a IFMA faz um excelente trabalho ao acompanhar a constante evolução das funções e responsabilidades dos profissionais de FM, mantendo-se atualizada em relação às tendências do setor.
Existe um processo contínuo de aprendizado por meio de eventos como o Florida Facilities Summit, além das oportunidades de crescimento profissional proporcionadas pelas certificações e pelos programas de formação para cargos de liderança dentro dos capítulos da associação.
Isso vale tanto para os profissionais de FM quanto para os associados prestadores de serviços, como eu.
Pessoalmente, aprendi a liderar por meio da influência e de uma visão compartilhada, em vez de liderar apenas com base na minha posição como proprietária e presidente da minha empresa.
Renée: Talvez essa pergunta fosse melhor respondida pela equipe de marketing da IFMA, mas, falando a partir da minha própria experiência, a IFMA me proporcionou a oportunidade de conhecer outros profissionais de FM, trocar ideias e compartilhar práticas adotadas em diferentes organizações.
Além disso, no âmbito local, consegui ajudar a inspirar outras pessoas do meu capítulo, compartilhando boas práticas e diferentes formas de abordar os desafios enfrentados em suas próprias empresas.
Por fim, encontrei uma profissão que me permitiu pensar fora dos padrões convencionais, me incentivou a expandir minha atuação para outras áreas do Facility Management e, mais tarde, me deu a oportunidade de exercer uma função de liderança em nível nacional dentro da minha agência.
- Muitas pessoas conhecem a IFMA por suas certificações profissionais, mas como essas credenciais impactam, na prática, a carreira de um gestor de facilities?
Grace: Sou uma grande defensora das certificações profissionais. Inclusive, também possuo a credencial FMP (Facilities Management Professional) da IFMA, embora eu atue como prestadora de serviços.
Ao longo dos meus anos na IFMA, testemunhei mais de 20 ou 30 profissionais de FM avançarem para cargos mais elevados, assumirem maiores responsabilidades, conquistarem melhores salários e passarem a liderar departamentos como resultado direto dessas certificações.
Alguns chegaram ao cargo de vice-presidente de Facilities e alcançaram posições executivas dentro de suas organizações.
- A profissão de Facility Management evoluiu significativamente nas últimas décadas. Quais foram os avanços mais importantes desde a fundação da IFMA? E quais desafios permanecem praticamente inalterados?
Grace: Em relação à primeira parte da pergunta, acredito que um dos avanços mais importantes seja o fato de a IFMA ter contribuído para elevar o papel do FM junto à alta liderança. Hoje, os executivos estão mais conscientes da importância de convidar os profissionais de FM para participar das discussões e oferecer informações valiosas sobre os ativos antes da tomada de decisões.
Quanto aos desafios que permanecem, a alta liderança, de modo geral, ainda não compreende totalmente as funções e responsabilidades do profissional de FM, nem as inúmeras competências — que vão de Operações e Manutenção à Gestão de Riscos — que esses profissionais precisam dominar para se alinhar à visão estratégica da organização.
Renée: Em relação ao valor das certificações e do reconhecimento profissional, embora os profissionais de FM estejam finalmente começando a receber o reconhecimento que merecem, as certificações garantem que profissionais experientes tenham sua competência formalmente reconhecida, mesmo que não tenham concluído um curso superior avançado.
Muitos profissionais conseguem avançar na estrutura hierárquica das empresas graças às suas credenciais.
No meu caso, as certificações foram uma forma de fortalecer o orgulho e o reconhecimento dos muitos profissionais de FM do Centro Espacial, garantindo maior estabilidade quando os contratos eram renegociados e novos prestadores de serviços assumiam as operações.
A equipe de FM praticamente não era afetada por essas mudanças. Antes da conquista das certificações, essa realidade era diferente.
