painel 1 | Shaping the Future FM Profession | Dia 06 AGO
Como formar líderes capazes de atuar em um ambiente construído cada vez mais complexo? Essa foi a questão que orientou o Painel 1 do Florida Facilities Summit, realizado de 5 a 7 de agosto, em Orlando, nos Estados Unidos. Com o tema “Shaping the Future FM Profession”, o debate reuniu o professor da Escola Politécnica da USP, Prof. Dr. Moacyr Alves da Graça, o professor da Texas A&M University, Prof. Dr. Sarel Lavy, e Carla Prandini Paiva, Workplace Experience Manager da Bloomberg.
A discussão partiu das provocações apresentadas por Ana Machado, da equipe do FM Connection, sobre o papel da educação no desenvolvimento das carreiras, os desafios da profissão e as oportunidades que surgem para o futuro do Facilities Management.
Ao longo do painel, os três convidados apresentaram perspectivas complementares. O Prof. Moacyr abordou os fundamentos conceituais da profissão. O Prof. Sarel discutiu os desafios da formação acadêmica e a necessidade de aproximar universidade e mercado. E Carla compartilhou a experiência da educação continuada em sua trajetória profissional.
Compreender a essência do Facilities Management
Ao iniciar sua apresentação, o Prof. Moacyr destacou que não é possível discutir educação sem compreender aquilo que se pretende ensinar. “Educação não é sobre ensinar, mas sobre a capacidade de aprender.”
Segundo ele, a formação em Facilities Management é desafiadora porque os profissionais chegam à área com experiências e níveis de formação diferentes. Essa diversidade também se reflete na compreensão da própria profissão. “Se eu pedisse para que vocês respondessem o que é Facility Management, cada um responderia de maneira diferente.”
Para explicar o conceito, o professor afirmou que uma instalação não deve ser entendida apenas como uma edificação. O edifício existe para atender às necessidades das pessoas e permitir a realização de atividades. “As edificações são construídas para pessoas e, sem elas, não valem de nada”, lembrou.
O Prof. Moacyr retomou o conceito de pessoas, lugares e processos, mas ressaltou que a usabilidade deve ocupar o centro dessa relação. Também apresentou as três dimensões do gerenciamento dos espaços: física, social e digital. Ao recorrer a uma citação de Lao Tzu, destacou a importância do espaço interno das edificações. “Nós trabalhamos com o substancial, mas é o vazio que nós usamos”, destacou.
Da academia para a prática
Docente da Texas A&M University, o Prof. Dr. Sarel Lavy deu continuidade ao debate a partir da Carta de São Paulo, documento elaborado em 2022 por especialistas e fellows da IFMA. “Foi um manifesto para elevar a profissão de facilities de um centro de custos operacionais a uma função mais estratégica e executiva.”
O professor explicou que o documento apresenta seis áreas prioritárias para o futuro da profissão: educação, pessoas, locais, processos, normatização e tecnologia. Ao defender uma nova definição para a atividade, afirmou: “Precisamos redefinir o papel do gerente de facilities como o orquestrador da performance das organizações.”
O Prof. Dr. Sarel também ressaltou a necessidade de integrar o conhecimento acadêmico à prática profissional. “Especialmente em Facilities Management, é fundamental conectar o que se aprende na academia e a prática do mercado de trabalho”, disse. Segundo dados da IFMA apresentados durante a palestra, 40% dos profissionais da área estarão em idade de aposentadoria nos próximos anos, o que torna a transferência do conhecimento uma prioridade.
O professor ainda apresentou quatro pilares para a formação em FM: integração entre engenharia, negócios e ciências sociais; pensamento sistêmico; análise do ciclo de vida das edificações; e capacidade de transformar dados em informações estratégicas. “A profissão de facilities management tem que ser uma escolha de carreira”, alertou.
A educação como estratégia de crescimento profissional
A terceira parte do painel mostrou como a educação pode influenciar o desenvolvimento da carreira. Carla Prandini trouxe um relato bastante pessoal e contou que começou a atuar com planejamento de espaços sem nem ao menos conhecer o conceito de Facilities Management. “No Brasil, especificamente, não tínhamos um termo certo para definir as atividades de Facilities Management.”
A busca por formação específica a levou aos cursos da Universidade de São Paulo, primeiro em planejamento de espaços e, posteriormente, ao MBA em Facilities Management. “O curso me deu os recursos que eu precisava para ser ouvida pela alta gestão”, contou. Ela ainda afirmou que o MBA ampliou sua visão sobre a profissão e contribuiu para a transição de uma atuação técnica para uma posição de liderança: “O MBA mudou não só o que eu sabia, mas mudou a minha mentalidade. Eu quis me tornar uma líder nos negócios e não apenas uma técnica.”
Ao longo da carreira, Carla sempre buscou novas formações para responder aos desafios encontrados em cada etapa, incluindo programas do Disney Institute, a certificação FMP da IFMA e um curso de liderança da Wharton Executive Education. “O curso na Wharton me forneceu as ferramentas que eu precisava para readaptar a maneira como eu falava com diferentes públicos.”
Ao concluir sua participação, Carla reforçou a importância da atualização constante: “Foi a educação continuada que me deu os recursos para crescer profissionalmente.”
O Prof. Moacyr finalizou o painel com a música “In My Life”, dos Beatles, cuja letra relaciona lugares, experiências e memórias. “Quem não se lembra da sua primeira escola? Onde você jogava futebol? Onde você aprendeu a andar de bicicleta? Essas são memórias que guardamos sobre os lugares e pessoas que marcaram as nossas vidas. E lugares que evocam boas memórias são o melhor resultado do trabalho de um profissional de facilities”. Portanto, lugares importam!
Apesar das abordagens distintas, os três palestrantes convergiram para a mesma conclusão: a formação dos líderes em Facilities Management exige conhecimento técnico, visão estratégica e aprendizado contínuo.
