Parque Barigui é pop e sustentável

Aqui tem FM

Aberto em 1972, espaço da cidade do 4º FM Connection é referência em gestão

Tudo bem que estamos falando de uma cidade com mais de 45 parques e bosques públicos, o que, de fato, representa enorme vantagem paisagística e urbanística. Mas só o Parque Municipal Barigui, por ele próprio, nos limites de seus 1.400.000 m², é mesmo de tirar o fôlego – e sem nenhum perdão do trocadilho: vai que algum atleta de primeira viagem resolve correr pelos seus mais de 3 km de pista em volta do lago?

Sem falar na paisagem estonteante, que conjuga o verde da vegetação e da água com o colorido dos prédios ao redor, presenteando os visitantes, ao entardecer, com um belo skyline (quase miragem!) de Curitiba. Claro que, para manter tantos encantos neste que é o maior parque da capital paranaense, se faz necessário um baita esquema de gestão por parte da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA). A começar pelos cuidados inerentes a toda unidade de conservação ambiental:

“O Parque Natural Municipal do Barigui é uma unidade de conservação enquadrada como Unidade de Proteção Integral e tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica. Tudo para viabilizar a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambientais, além de ofertar à população momentos de recreação e de turismo em contato com a natureza”, argumenta o Diretor do Departamento de Parques e Praças da SMMA, Giovando Romanine.

Segundo ele, toda a gestão do parque é baseada em leis e decretos ambientais, tanto federais quanto municipais, que dizem respeito ao uso e manejo do solo. Dentre as tarefas do dia a dia, destacam-se aquelas de preservação dos recursos naturais ou de cuidados com a água, ar, flora e fauna. E aqui entra, por exemplo, a atenção à população de capivaras, consideradas os maiores roedores do mundo e símbolo não oficial da cidade.

Além desse olhar cauteloso para a natureza, há a rotina de conservação dos equipamentos instalados, como brinquedos infantis e aparelhos de ginástica. E toda a prestação de serviços em áreas construídas e/ou de uso extensivo do parque é realizada por empresas terceirizadas e equipes volantes, devidamente preparadas e fiscalizadas, sob assinatura de contratos específicos. Algumas das ações mais frequentes têm a ver com manutenção das estruturas de madeira, como pontes, decks, portais e passarelas, e despichação, pintura e reparo de ciclovias e placas de sinalização.

Patrulhamento sustentável

Todos os contratos com empresas terceirizadas exigem, pelo edital e termo de referência, que elas atendam a princípios de sustentabilidade. De acordo com Giovando Romanine, “a própria fiscalização reforça o cumprimento de algumas medidas, como separação do lixo para reciclagem; descarte de resíduos vegetais em locais onde possam ser reaproveitados, seja para geração de energia ou compostagem; reutilização de material de desassoreamento dos lagos, após análise de poluentes, em terraplenagem ou outros fins; reuso de peças de equipamentos reformados em outros; certificação de que a madeira utilizada nas obras tenha procedência de empresas cadastradas no Ibama e demais órgãos ambientais; orientação de logística de transportes de material para utilizarem o menor percurso possível, com vistas à diminuição da emissão de gases; antes de comprar, arguir os fornecedores se também atendem aos princípios de sustentabilidade; entre outros protocolos”.

Reciclagem levada a sério

O Departamento de Parques e Praças é o responsável pela gestão dos resíduos vegetais provindos da varrição, roçada, podas de árvores, limpeza de lagos e de outras tarefas ligadas à flora. Já o Departamento de Limpeza Pública fica encarregado pelo manejo, destinação e reciclagem dos resíduos domésticos gerados pelo público e pelos estabelecimentos comerciais. Todo o lixo reciclável é coletado pelos caminhões da Prefeitura Municipal de Curitiba e destinado aos barracões do “Programa Ecocidadão”, um projeto da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

“Curitiba conta com 40 associações de catadores de material reciclável, que recebem, fazem a triagem e comercializam resíduos do apanhado seletivo da cidade. E este nosso programa visa fortalecer a rede de coleta e separação de materiais também reutilizáveis, melhorando, assim, a qualidade de vida dos catadores”, explica Romanine.

Com ordenamento ecologicamente correto, tão evidente em várias frentes de trabalho, bem que o nome do parque poderia ser revisado: de “Barigui”, que em tupi-guarani quer dizer “rio do fruto espinhoso”, em alusão às pinhas das araucárias, típicas do estado do Paraná, que tal mudar para “rio dos 5 Rs”? Resta saber só como seria essa tradução na língua indígena…

Barigui gera energia limpa e renovável

Em 04 de outubro de 2019, foi inaugurada a Central Geradora Hidrelétrica Nicolau Klüppel, com geração de 21,6 mil kwh/mês, equivalente à metade do consumo mensal de energia elétrica do parque. A mini usina foi instalada num desnível do Rio Barigui e doada pela Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (ABRAPCH).

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