Gestão de Espaços
O ambiente de trabalho deixou de ser apenas um conjunto de escritórios para assumir uma função estratégica nas organizações. A combinação entre espaços físicos, tecnologia, cultura organizacional e experiência dos colaboradores vem ampliando o alcance do Facility Management, aproximando a área das decisões de negócios e da construção de ambientes mais saudáveis, flexíveis e eficientes.
Essa transformação tem colocado profissionais brasileiros em evidência no cenário internacional. Entre eles está Cibele Verasto, Senior Workplace Leader da Databricks para a América Latina, gerente de Facilities e Workplace e eleita Top Global FM Influencer 2025 pela IFMA. Ao lado dela, Fernanda Carvalho, arquiteta e urbanista que atua em Facilities & Workplace Experience no Mercado Livre, representa uma nova geração de especialistas que integra arquitetura, tecnologia e experiência do usuário para desenhar ambientes corporativos alinhados às novas formas de trabalho.
Da operação à estratégia
Para Cibele Verasto, o Facility Management passou por uma mudança de posicionamento nos últimos anos. O foco deixou de ser exclusivamente a operação dos edifícios para incorporar a gestão da experiência das pessoas e sua relação com os objetivos das organizações.
“O Facilities Manager deixou de administrar apenas o ambiente físico e passou a compreender como diferentes disciplinas se conectam para gerar soluções que atendam às necessidades do negócio e das pessoas.”
Segundo ela, essa evolução exige domínio de dados sobre utilização dos espaços, consumo de recursos, custos operacionais e níveis de ocupação. Essas informações apoiam decisões relacionadas à expansão ou redução de áreas, investimentos, serviços e iniciativas voltadas ao bem-estar.
Na avaliação da executiva, quando a gestão dos espaços é orientada por indicadores, o Workplace passa a contribuir diretamente para os resultados da empresa. “Quando a gestão do workplace é orientada por dados, ela deixa de ser apenas operacional e passa a apoiar diretamente a estratégia da organização.”
A experiência dos colaboradores também ganhou peso nesse processo. Para Cibele, um escritório atrativo não se resume ao projeto físico, mas à capacidade de oferecer experiências coerentes com a cultura da empresa e com as necessidades de diferentes equipes. “O escritório deixa de ser apenas um local de trabalho e passa a ser um ambiente que incentiva a colaboração, fortalece conexões e oferece às pessoas um motivo real para estarem presentes.”
Ao comparar o Brasil com outros mercados, ela aponta a flexibilidade dos fornecedores e prestadores de serviço locais como uma vantagem competitiva. A capacidade de adaptar contratos, prazos e serviços permite que as organizações respondam mais rapidamente à medida que as estratégias de Workplace evoluem. “Essa flexibilidade nos ajuda a transformar ideias em soluções muito mais rapidamente”, afirma. Ela também destaca a hospitalidade brasileira como uma característica cultural marcante que influencia a forma como colaboradores e visitantes vivenciam os ambientes corporativos, criando locais de trabalho mais acolhedores e centrados nas pessoas.
Experiência, integração e futuro
Na visão de Fernanda Carvalho, o conceito de Workplace acompanha a mudança de comportamento dos profissionais em modelos híbridos. Se antes o escritório era destinado principalmente à execução das atividades diárias, hoje ele se torna um espaço voltado à colaboração, ao aprendizado e ao fortalecimento da cultura organizacional.
“O conceito de Workplace deixou de ser apenas um espaço físico e passou a ser uma plataforma de experiências.”
Para ela, esse cenário exige integração permanente entre Facility Management, Recursos Humanos e Tecnologia. Enquanto o RH identifica as necessidades das pessoas e a tecnologia viabiliza a jornada digital, Facilities traduz essa estratégia para os ambientes físicos. “O Facilities deixou de ser apenas operacional e passou a assumir um papel estratégico, conectando pessoas, tecnologia e negócios.”
Essa integração também modifica a forma de medir o desempenho dos ambientes corporativos. Indicadores tradicionais permanecem relevantes, mas passam a conviver com métricas relacionadas à satisfação dos colaboradores, utilização efetiva dos espaços, colaboração, qualidade ambiental interna, bem-estar e retenção de talentos.
“Hoje, as organizações mais maduras medem a experiência de forma mais ampla. O Workplace do futuro será cada vez mais orientado por dados, mas sem perder de vista que, no final, estamos falando de pessoas.”
Ao olhar para os próximos anos, Fernanda identifica três movimentos principais: ambientes mais flexíveis, uso intensivo de tecnologia e inteligência artificial na gestão dos espaços e uma visão mais abrangente da sustentabilidade, incluindo impactos sociais e a saúde das pessoas.
Apesar do avanço tecnológico, ela acredita que a principal tendência será a valorização das relações humanas. “Os escritórios do futuro serão menos sobre mesas e metros quadrados e muito mais sobre experiências, colaboração e construção de cultura organizacional.”
As visões de Cibele Verasto e Fernanda Carvalho mostram como o Brasil vem acompanhando debates presentes nas agendas globais de Workplace e Facility Management. Ao combinar gestão baseada em dados, integração entre áreas e foco na experiência humana, o mercado brasileiro apresenta soluções alinhadas aos desafios enfrentados por organizações em diferentes países e reforça sua contribuição para a evolução internacional da gestão de espaços.
